DEUS QUER QUE SEJAMOS TOTALMENTE SÃOS

O tema principal deste livro não é a cura físi¬ca nem a espiritual, mas a cura interior. Trata-se de um testemunho de nossas experiências na oração intercessória em favor da cura mental, a cura das recordações. Entretanto, tem havido ocasiões em que o Senhor tem operado, por meio do seu amor, esses três tipos de cura numa mesma pessoa: a espiritual, a física e a cura interior.

O que aconteceu a uma jovem que chamare¬mos Ann é um belíssimo exemplo de uma cura operada pelo Senhor, em todas as áreas de nosso ser. Ann era filha adotiva, tendo sido adotada quando ainda era bebê. Mais tarde, seus pais adotivos se divorciaram, e quando ela estava com treze anos, sua mãe se casou novamente. Contu¬do, ela não teve um relacionamento muito cordial com o padrasto. Na adolescência, experimentou tudo que Satanás tem para nos oferecer. Casou-se ainda muito jovem, e teve uma criança que nasceu com uma lesão cerebral. (Mais tarde, ela foi curada por Deus.) O marido de Ann sofreu um acidente de carro e também ficou com lesão cerebral. Este casamento terminou em divórcio. Depois, a mãe dela ficou gravemente doente e veio a falecer em seus braços. Imagine uma pes¬soa passar por tantas experiências terríveis e traumatizantes.
Quando a conhecemos, seu semblante denota¬va total rejeição, desespero, rebelião, ressenti¬mento, medo e ódio. Achava-se enferma de corpo e alma. Mas uma coisa positiva lhe acontecera. Ela fora viver com um outro casal que se respon¬sabilizou por ela, e, por intermédio deles, veio a conhecer o Senhor como seu Salvador pessoal. Eles a trouxeram a nós para que orássemos em seu favor, pela cura de sua alma. O Senhor já operara maravilhosamente em sua vida e ela re¬cebera a cura espiritual. Mas ainda se encontra-va opressa, devido às atitudes erradas que abri¬gara, e às recordações penosas que ainda tinha.
Oramos no sentido de que ela pudesse apro¬priar-se da herança que lhe cabia por direito — justiça, paz e alegria. Usamos de autoridade sobre Satanás, e fizemos com que ela, em nome de Jesus, renunciasse a todas as forças negativas que o inimigo enviara contra ela — rejeição, ressentimento, amargura, ódio, etc. Pedimos a Jesus que preenchesse o vazio de seu coração com amor, paz, alegria e perdão. Pedimos-lhe também que curasse sua mente e emoções. Em seguida, oramos pedindo a Jesus que a curasse das recordações dolorosas.
Glória ao Senhor, pois ele não somente iniciou a cura interior, mas, quando seu poder desceu sobre ela, foi instantaneamente curada de hér¬nia. A presença do Espírito Santo foi tão podero¬sa naquele dia, que quase não conseguimos sair daquela sala. A sua cura mental se deu num processo gradual e progressivo, mas, alguns meses depois, quem olhasse para ela teria dificul¬dade em reconhecê-la, por causa da mudança radical que se operara. Assim vemos a misericór¬dia de Deus atuando numa única vida, proporcio¬nando três tipos de cura — espiritual, física e mental — o que constitui uma experiência confortadora.
Estou me lembrando também de uma moça que foi curada de marcas emocionais, e ao mes¬mo tempo de uma marca física no ombro. Orei por aquela moça de vinte e quatro anos, que sempre tivera um bloqueio mental com relação à leitura. Mas ela estava sentindo também que havia algo que a impedia de crescer espiritual¬mente como desejava. Como ela era inteligente, na infância os pais a haviam levado a psicólogos, especialistas em problemas de leitura, terapeutas da fala, etc., a fim de tentar descobrir a causa de sua incapacidade na leitura. Antes de orarmos pela sua cura interior, fizemos com que renun¬ciasse às diversas forças negativas que Satanás enviara contra ela.
Relatou que sofrera sérias queimaduras quando pequena. Não mencionou com que idade isso acontecera, mas quando eu estava orando pela cura de suas recordações, o Espírito Santo revelou-me a idade exata em que ocorrera aquele trágico acidente — ela estava com dois anos. Quando mencionamos essa época de sua vida, começou a chorar copiosamente. Ela pensava que essa recordação penosa já havia desaparecido há muito tempo, mas a verdade é que Satanás a mantivera gravada bem no fundo de sua mente. Eu não sabia que parte do corpo ela havia queimado, e nem que ainda tinha cicatrizes, mas quando começou a chorar, coloquei a mão em seu ombro, para consolá-la. Mais tarde me disse que eu havia tocado o lugar exato onde estava a cicatriz.
Depois de chegar em casa, ela me telefonou para contar que o calor do Espírito Santo perma¬necera durante todo o tempo em que voltava para casa. Ela e a mãe examinaram o ombro, e viram que o Senhor havia removido quase todas as cicatrizes que estavam ali, havia vinte e dois anos. O mais maravilhoso de tudo, foi que o Senhor Jesus não somente a libertou das cadeias que a prendiam, das marcas emocionais e das recordações penosas, mas também removeu as cicatrizes da pele, no local onde havia se queima¬do. Ela sentiu, naquele dia, que o bloqueio mental para leitura foi parcialmente removido. E mesmo ao voltar para casa, encontrou bem mais facilida¬de para ler os sinais e placas ao longo das ruas.
Há casos em que Satanás esconde lembranças penosas bem no fundo de nossa mente, em seus recantos mais escuros. Essa lembrança "escondi¬da" causa muitos distúrbios físicos e emocionais, mas não sabemos dizer por que temos aqueles problemas, nem quando começaram. E muitas vezes, quando oramos a Jesus para que penetre em nosso passado e cure as recordações doloro¬sas, quando entregamos a ele as nossas dores e sofrimentos, acontece também a cura física.
A cura física é apenas um lado do triângulo da cura divina — e ela é maravilhosa. Alguém já disse que não há curas "pequenas". Quando alguém está sofrendo e Deus o cura, para ele isso é muito importante, maravilhoso e grandioso.
O Novo Testamento está repleto de relatos de enfermos curados pelo Senhor Jesus. Ele tocava os cegos, e estes passavam a enxergar. Tocava os aleijados, e estes caminhavam. Tocava os doen¬tes, e estes saravam. Lemos em 1 Pedro 2.24 que "por suas chagas fostes sarados". E Jesus nos diz que "aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai" (Jo 14.12). Ele nos fez essas promessas, e podemos confiar nele e crer que ele deseja que oremos pelos enfermos, em fé, crendo que serão curados. A última parte da Grande Comissão diz o seguinte: "... se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão cura¬dos." (Mc 16.18.)
Sinto uma alegria imensa brotar em mim cada vez que me lembro da mãe de uma amiga. Essa senhora ficara dois anos com um pulmão artifi¬cial, pois sofria de uma doença pulmonar, mas o Senhor a curou instantaneamente. Tenho vonta¬de de saltar de alegria quando me recordo de uma senhora da Flórida que foi curada instanta¬neamente de uma hérnia muito dolorosa. Um ano depois, ela voltou a Houston e contou-nos que sua cura fora comprovada pelo médico. Uma outra senhora de Mississipi, que fora curada de glaucoma, também nos visitou em Houston um ano depois que o Senhor a curara, e dava glória a Deus, pois seu médico comprovara que realmente fora curada.
E como foi maravilhoso quando o Senhor cu¬rou um homem que se encontrava numa sala de emergência de um hospital, para onde fora leva¬do após ter sofrido um ataque cardíaco.
— Sei que o Senhor me poupou a vida naquele dia, disse ele. Foi para que eu testemunhasse de Jesus. Quatro pessoas já aceitaram a Cristo, quando lhes contei como o Senhor me curara.
Como se explica o fato de que o Senhor dissolve tumores e endireita vistas tortas? Não há explicação — a única coisa a fazer é louvá-lo. Tudo é possível, por meio da oração. Nós também presenciamos, admirados, o milagre do Senhor, quando ele estendeu a perna de minha avó em mais de cinco centímetros, bem dentro de nosso lar. Ela tivera uma fratura da bacia alguns anos antes, e a cabeça do fêmur penetrara dentro da sua cavidade. Hoje ela já caminha sem mancar.
Eu e Ed nos regozijamos e ficamos admirados quando nos lembramos de uma senhora que tinha um grave problema cardíaco e que veio à nossa casa com uma amiga para orar, quando já estava a caminho do hospital. O Senhor curou-a imedia¬tamente, e ela não foi mais para o hospital. (Ela estava recebendo medicação diária, e já perdera muitas horas de serviço, devido a um grave caso de fibrilação do coração.) Já se passou um ano, e ela ainda se sente maravilhosamente bem. Nossa vontade é gritar bem alto: "Glória a Deus!", quando nos lembramos de uma outra senhora que ficou como "procuradora" espiritual de uma ami-ga sua que fora submetida a uma operação e estava sentindo dores fortíssimas. Enquanto ora¬va pela outra, sua enfermidade de coração foi curada.
Uma pergunta que se faz com freqüência é a seguinte: "Por que não são curadas todas as pessoas por quem se ora?" Somente Deus conhe¬ce a resposta dessa pergunta. Ao que parece, existem certas condições que precisam ser obser-vadas. Em seu livro, The Art of Understanding Yourself, Cecil Osborne diz o seguinte: "Se um indivíduo abriga conflitos, tensões, ansiedades e senso de culpa em alguma área de sua vida, essa doença espiritual tende a manifestar-se sob a forma de sintomas físicos."
Se uma pessoa sofre de úlcera devido a um forte ressentimento, ela não poderá ser curada, se não superar esse ressentimento. (Nem toda úlcera é causada por ressentimentos.) Se uma pessoa é dominada por medo e preocupação excessivos, e isso lhe causa um mal cardíaco, e a menos que consiga superar seus temores, é pouco provável que o Senhor possa curá-lo. Por que Deus iria curar alguém de uma doença pulmonar, se essa pessoa continua fumando maços e maços de cigarro por dia? Ou por que curaria um indivíduo de um mal do fígado, se ele continua ingerindo enormes quantidades de bebida alcoóli¬ca?
Assim, podemos, de certo modo, justificar o fato de algumas pessoas não serem curadas, quando insistem em continuar com práticas noci¬vas ao seu corpo. Contudo, ainda há a pergunta: "E quanto àqueles que andam com o Senhor, são cheios do Espírito , têm a fé que move montanhas, e no entanto não são curados? Por que, Senhor?" Aparentemente, nossa fé (ou falta de fé) não é o único critério para que ocorra (ou não) a cura.
Em seu livro Something More, Catherine Marshall fala sobre sua netinha que nasceu com sérios defeitos congênitos, e diz que toda a famí¬lia resolveu orar, com fé, pedindo uma cura miraculosa. Durante vários dias, as pessoas se reuniam para orar intensamente, mas Amy Ca-therine morreu após um mês e meio de vida. Catherine Marshall só conseguiu refazer-se desse sofrimento agonizante e profundo, quando afinal foi capaz de fazer a oração de renúncia, e depois ir mais além, e louvar ao Senhor, mesmo em meio a circunstâncias negativas. Ela conta o seguinte a respeito da doença que teve em 1943: "Deus não permitiu que eu sarasse enquanto não me dispu-sesse a ver sua mão, mesmo em meio à minha enfermidade. A doença pertence ao reino de Satanás, mas Deus permitiu que eu a tivesse. Eu poderia culpar o diabo por ela, mas deveria ver Deus nela."
Temos que entregar cada caso ao Senhor. Não podemos como que "chegar Deus no canto". Não temos o objetivo de tentar descobrir por que algumas pessoas são curadas e outras não. Nem todas as pessoas que ouvem as boas-novas acei¬tarão Jesus como Salvador, mas nós continuamos a pregá-las. Nem todas as pessoas por quem oramos se curam como gostaríamos que aconte¬cesse, mas continuamos a orar e a apresentar os enfermos a nosso Pai, para a glória dele. Pode ser que a glória dele seja curá-las na terra, ou, então, curá-las no céu. Quanto a nós, somos chamados a orar, renunciar e louvar a ele.
A principal cura é a espiritual (a salvação). "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele." (Jo 3.16,17.) Muitas pessoas não conseguem crer que Deus realmente perdoa e esquece, nem que ele fala a sério quando afirma: "Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniqüidades para sempre." (Hb 10.17.) A salvação é a base da qual procedem todas as outras curas. Só podemos ter purificação e cura completas, por causa do sangue que Jesus derramou.
A cura espiritual pode ser descrita com uma palavra — perdão. Isso implica em receber o perdão de Deus pelos nossos pecados, e depois perdoar àqueles que pecaram contra nós.
Para que obtenhamos a cura e purificação de nossos pecados, precisamos tomar as seguintes medidas:
1. Confessar nossos pecados e pedir perdão a Jesus.
2. Perdoar àqueles que pecaram contra nós.
3. Convidar Cristo para entrar em nosso cora¬ção e tornar-se nosso Salvador pessoal.
4. Afastar-nos do pecado, e pedir a Jesus para tomar o controle de nossa vida.
Uma das primeiras coisas que perguntamos às pessoas quando estamos fazendo o aconselha¬mento é: "Você já convidou a Jesus para entrar em seu coração e ser seu Senhor e Salvador?"
Por vezes, as respostas são muito vagas; outras vezes dizem:
— Bom, toda a minha vida sempre freqüentei a igreja.
Ou então:
— Sou cristão, pois fui batizado quando nasci. Ou ainda:
— Ah, sim. Minha mãe sempre me levava à igreja.
Mas o fato de uma pessoa poder dizer todas essas coisas não a torna crente. E então pergun¬tamos delicadamente:
— Você já conhece a Jesus como seu Salvador pessoal? Já lhe confessou seus pecados, e o recebeu em seu coração?
Se a resposta é "não", ou se a pessoa se mostra incerta, sempre fazemos com que ela faça a oração de arrependimento, e peça a Jesus para entrar em seu coração.
Entre as pessoas que receberam a cura espiri¬tual, está o marido de uma professora. Ela mar¬cou uma hora para uma entrevista conosco e disse:
— Meu marido se diz agnóstico. Não estamos em nenhuma igreja, mas eu desejo receber todas as bênçãos que o Senhor tem para nós. Quero ser cheia do Espírito Santo.
Quando ela chegou, olhei atrás dela, e lá estava o marido. Ele a levara até ali de carro, e depois aquiescera em entrar com ela, mas não sem certa relutância.
Ele escutou atentamente enquanto falávamos à sua esposa a respeito de nosso amor por Jesus, e de todos os modos pelos quais ele provara seu amor para conosco. Quando chegou o momento certo, o Espírito Santo me transmitiu o seguinte:
— Está na hora de parar de falar e começar a orar.
Então me voltei para ela e disse:
— O Senhor quer que oremos por você.
E, ainda pela inspiração do Espírito, virei-me para o marido, agnóstico confesso, e perguntei-lhe se gostaria que orássemos por ele também. Para surpresa nossa, ele disse:
— Quero.
E então, eu e meu marido nos ajoelhamos no sofá com ele. Ed orientou-o para fazer a oração de arrependimento e confissão do pecador, e a receber Jesus como seu Salvador. Depois disso, oramos pela sua cura interior. Pedimos a Jesus que o enchesse de seu Espírito Santo. E ele aten¬deu! Mais tarde, então, oramos pela esposa (que aliás fora quem realmente pedira oração). E aqueles dois professores saíram dali de braços da¬dos, glorificando ao Senhor. De lá para cá, já cresceram bastante espiritualmente, e estão an¬dando com o Senhor dia a dia.
Não existe alegria maior que a de levar al¬guém a Cristo.
Como eu disse antes, a cura espiritual é a mais importante e mais significativa. A cura física é gloriosa; mas um crente pode estar em ótimas condições físicas, e mesmo assim ser infeliz, um aleijado na vida emocional. Portanto, é pela cura interior, pela cura das lembranças, que se completa o outro lado do triângulo da cura divina. Ela é muito vital e necessária. Sem a paz interior, sem a cura da alma (mente), não pode¬mos obter harmonia perfeita com o Senhor. Mas Deus é tão bom — ele quer que sejamos completa¬mente sãos em todo o nosso ser: espírito, corpo e alma.