O MINISTÉRIO DA CURA INTERIOR

De todos os ministérios cristãos, nenhum exige maior dose de amor, compaixão, brandura, dis¬crição e paciência do que o da cura interior e cura das lembranças. Deus pode mandar ao nosso encontro pessoas de coração ferido, espírito ma¬goado, mente em confusão, personalidade des¬truída, ou uma pessoa presa ao cativeiro de Satanás. Em qualquer ministério que exercer¬mos, temos que confiar inteiramente no Senhor, mas no ministério da cura interior isso é absolu-tamente imprescindível. Nesta obra, o Espírito Santo tem que operar por meio dos dons de discernimento, palavra de conhecimento e sabe¬doria. Só ele pode nos revelar a verdadeira causa e raiz de cada problema.
Nossa responsabilidade como conselheiros é mostrar amor às pessoas — o amor de Deus e o nosso — e apresentá-las ao Senhor pela oração, crendo, juntamente com elas, que ele quer torná-las integralmente sãs. Pode ser que não tenham fé, e nesse caso teremos que ter fé por elas.
A oração pela cura interior exige muito tem¬po. Temos que dar a cada caso o tempo necessá¬rio. Ninguém deve tentar fazer essa obra, a menos que disponha de pelo menos uma hora — geralmente é bom prever um período de duas horas, sem interrupções. Lembremos que, quan¬do as pessoas nos procuram, às vezes se encon¬tram tensas, nervosas, e por vezes ligeiramente relutantes em narrar seus problemas. Portanto, a primeira coisa a fazer é colocá-las bem à vonta¬de. Mostrar-lhes que nos interessamos por elas, nos preocupamos e que realmente as amamos. Mas sejamos bem sinceros. Além disso, temos que assegurar-lhes de que os fatos que nos narrarem não serão transmitidos a ninguém mais.
Às vezes, não será possível ter junto de nós um intercessor para nos auxiliar, pois a maioria das pessoas gosta de ser aconselhada a sós. Muitas das coisas que nos contam são tão íntimas e representam um sofrimento tão grande, que não querem mais ninguém presente ali. Entretanto, é de vital importância que haja outras pessoas sustentando-nos em oração, no momento em que estivermos fazendo um trabalho desse.
Uma palavra de advertência — é melhor nun¬ca orar a sós com uma pessoa do sexo oposto.
Sempre iniciamos o período de aconselhamen¬to com uma oração mais ou menos assim:
Pai celeste, entregamos estes momentos a ti. Confessamos com nossos lábios que não aceita¬remos nenhum pensamento, palavra ou impres¬são que não venham de ti. Pedimos-te perdão pelos nossos pecados, para que sejamos vasos limpos. Obrigado, Senhor, pelo teu poder e proteção. Damos-te graças, porque podemos ser mais que vencedores pelo sangue que Jesus derramou por nós. Senhor, envia teus anjos guardiães, teus mensageiros, para que se acampem ao nosso redor. Damos-te graças pela tua promessa de que aquele que está em nós é maior do que o que está no mundo.* Em nome de Jesus. Amém.
Normalmente, um período de aconselhamento é dividido em quatro partes:
1. Ouvir a pessoa narrar seus problemas. (Lembremos que nós apenas ouvimos, en¬quanto ela fala. Enquanto a ouvimos, escu¬tamos também a voz do Espírito Santo, que nos revela a causa daquele problema.)
2. Orar para que sejam rompidas as cadeias de Satanás. (Apropriação da herança espi¬ritual.) Lembremos que essa oração pode ser feita em tom calmo e brando, mas com toda a autoridade que Jesus nos deu.
3. Orar pela cura das lembranças. Pedir a Jesus para penetrar em cada instante de sua vida passada, e curar todas as lem¬branças dolorosas.
4. Fazer o aconselhamento. Ensinar à pessoa maneiras pelas quais ela pode manter a cura mental. Ela deve ser avisada de que Satanás voltará a atacá-la. Deve aprender a revestir-se de toda a armadura de Deus. (Ef 6.10-18.)
A única pessoa que pode libertar uma pessoa espiritualmente cativa é Deus. Só ele pode salvar e curar. Nós, como conselheiros, só podemos ser vasos, e vasos imperfeitos, pelos quais fluirá seu perfeito amor. Só podemos ser os instrumentos que vão cortar as correntes da negra depressão, do temor ou do que quer que seja que os prenda. Depois que Lázaro se ergueu dentre os mortos, Jesus virou-se para os presentes e disse: "...Desa¬tai-o, e deixai-o ir." (Jo 11.44.) Talvez o Senhor venha a usar cada um de nós para ajudá-lo a cortar as amarras que prendem aqueles que ele nos envia, e que se acham cativos pelo medo, culpa, desespero, rejeição, solidão, etc, para que sejam libertos. "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." (Jo 8.36.)
Haverá casos em que a cura interior se dará no mesmo instante. Mas haverá outros em que ela seguirá um processo lento, e a pessoa poderá desanimar-se. Haverá indivíduos que não conse¬guirão aceitar a cura e o perdão de Deus. Nesse momento, nós, conselheiros e intercessores, te¬mos que ter muito amor e compreensão. E quando a fé de alguém vacilar, devemos lembrar-lhe que a fé (assim como a salvação) é um dom de Deus e não ocorre por esforço nosso. (Ver Romanos 4.5; 12.3.) Oremos para que a pessoa receba a medi¬da da fé que precisa.
Infelizmente, haverá ocasiões em que, depois de orarmos e orarmos, depois de escutarmos, testemunharmos e incentivarmos por muito tem¬po uma pessoa, Deus nos dirá: "Você já fez sua parte. Eu já fiz a minha. Mas enquanto ela não estiver disposta a fazer a dela, não poderei manifestar-me."
As pessoas por quem oramos tornam-se parte de nós mesmos — suas dores, alegrias, proble¬mas e vitórias são nossos. Quando nos lembramos de tantos que vieram a nós de coração aflito e saíram cantando de gozo, tantos que chegaram com a vida estraçalhada e saíram com tudo acertado, pelo poder do Espírito Santo, nossa vontade é ajoelhar diante de Deus em adoração, amor e louvor. Quando nos lembramos daqueles que vieram arqueados ao peso da culpa e vergo¬nha, e saíram libertos desses fardos; quando nos lembramos dos casamentos que foram salvos porque o casal permitiu que Jesus lhes curasse as mágoas e as lembranças dolorosas... não pode¬mos deixar de louvá-lo e agradecer-lhe.
Como já disse, nós mesmos não podemos fazer nada a não ser apresentar cada um ao Senhor, em oração, e depois presenciar a operação pode¬rosa dele nessas vidas.
Graças te damos, Senhor, por permitires que vejamos essas coisas, e tenhamos uma parte nes¬se ministério...
Mas lembremos que...
Todos nós podemos estar oferecendo a cura interior de Deus aos outros. Talvez não nesse esquema de uma entrevista de duas horas de duração, com aconselhamento e oração, mas em todos os momentos, com todas as pessoas que encontramos.
Marjorie Holmes afirma isso magnificamente em seu livro How Can I Find You, God? (Como posso achar-te, ó Deus?)
"Com generosidade, dando, testemunhando, ten¬do misericórdia, sendo paciente, manifestando compaixão e compreensão. E, não importa o que eu diga e a quantas pessoas ajude, se eu o fizer com amargura ou de má vontade, 'nada disso me aproveitará'. Se eu realmente desejo conhecer e amar a Deus, tenho que ter muito amor pelos seus filhos.
"Isso significa, então, que terei um espírito caridoso, e não apenas praticarei atos caridosos. Evitarei julgar os outros. ('Não julgueis, para que não sejais julgados.' Ninguém sabe que agonia uma pessoa enfrenta nos recessos da intimidade de sua vida.) Não apedrejarei um irmão ou irmã com palavras. 'Sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.'
"Amarei o meu próximo, e demonstrarei esse amor sempre que puder, embora talvez nunca venha a dizer-lhe nada. Procurarei amar o meu Deus de todo o coração, de toda a minha alma e de todo o meu entendimento — e dizer-lhe isso."
Que seja essa a nossa oração diária: "Senhor, faze de mim um vaso de bênção, cheio do teu amor, para que eu possa transmitir esse amor e a cura interior a todos os que me cercam."